Na madrugada dessa quinta-feira, a PSP atacou brutalmente a acampada pela habitação do Porto. Em um despejo levado a cabo de madrugada, contrariando qualquer princípio de dignidade, a polícia ofereceu um verdadeiro espetáculo macabro, distribuindo golpes e manchando o chão da Praça Dom João I de vermelho do sangue daquelas que ousaram lutar contra a crise de habitação que assola o país.
Enquanto as elites políticas e econômicas vendem o país para fundos imobiliários globais, transformando as nossas cidades em assets corporativos, o nosso ordenado real diminui: nunca tivemos que trabalhar tanto para ter tão pouco. Essa degradação econômica, que acontece a olhos vistos, tem na habitação a sua face mais cruel. O número de sem-abrigo em Portugal nunca foi tão alto, e cada vez uma porcentagem maior da população tem que dividir casa e até quartos com desconhecidos, apenas para não ficar ao relento. Frente a isso, a atuação do Governo português foi inequívoca: aprovar leis para aumentar ainda mais o déficit habitacional, privilegiar ainda mais os senhorios, e aumentar ainda mais o valor da renda média. Está, claramente, testando os seus limites com a população, para verificar o quão eficiente foi a construção da ideia de um “povo brando”.