No dia 1 de abril, fomos mais de 30 mil a tomar as ruas em protesto contra o custo de vida e a precariedade habitacional. Ao mesmo tempo que somos marginalizados e excluídos das nossas cidades e obrigados a viver sem autonomia, vemos imobiliárias, supermercados e bancos com lucros recorde. A violência deste contexto, ao contrário do que diz a narrativa dominante, é antiga e já nos marca há várias gerações. Quem acusa os moradores de violência, não acusa a violência dos despejos, não fala dos jovens que não conseguem emancipar-se, dos imigrantes agredidos e mortos, dos hotéis e restaurantes de luxo erguidos onde antes estavam as nossas casas, em nome do lucro e de um Estado cada vez mais próximo do fascismo.