A vida no território dominado pelo estado português (TDEP) está cada vez mais insustentável. Os nossos ordenados mal pagam as nossas despesas. Com mais da metade dele indo para sustentar as nossas habitações precárias, que todos os anos falham no teste de manter o frio do lado de fora de nossas casas, sobrando pouco para as restantes despesas. As idas ao supermercado – instituição que monopolizou a distribuição de alimentos e itens básicos para a maior parte da população residente no TDEP – tornou-se uma penúri. Somos forçados a contar os nossos cêntimos e fazer previsões matemáticas de nossos gastos: talvez, se eu gastar apenas dois euros por dia, consiga chegar até o final do mês. Frente a esta situação miserável, que se agrava de dia para dia, qual é a proposta dos nossos gerentes da coisa-pública? Uma reforma trabalhista (à lei laboral) que vai explorar ainda mais as pessoas que dependem do trabalho para ter o seu sustento. Com mecanismos que possibilitam o aumento da carga horária via banco de horas, a abrir a possibilidade de termos contratos de trabalho a prazo para a vida toda e a escancarar de vez as portas ao outsourcing, além de escurraçar ainda mais as mães trabalhadoras que se tentam fazer presentes na vida dos filhos, não há nada que nós enquanto trabalhadores temos a ganhar. Nesse sentido, as centrais sindicais fizeram a única coisa que cabia ser feita: chamaram uma greve geral. A Rede de Apoio Mútuo saúda essa chamada, e pontua que é apenas o primeiro passo em uma guerra que ainda se desenrolará por muito tempo.
1º de Maio
Dos mártires de Chicago às lutas do trabalho contemporâneo
Há 139 anos, em Chicago, ocorria a revolta de Haymarket, um marco decisivo para a história da luta des trabalhadores do mundo inteiro. Durante a manifestação que estava inserida dentro da jornada de luta pelas oito horas de trabalho diárias, uma bomba explodiu matando um policia. A polícia em resposta disparou, matando quatro trabalhadores e ferindo centenas. Seguiu-se um processo fraudulento onde acusaram oito militantes anarquistas pela tragédia, condenando sete a morte e outro a 15 anos de prisão. Desses, quatro foram sumariamente enforcados: August Spies, Albert Parsons, Adolph Fischer e George Engel, e um quinto, Louis Lingg, foi assassinado (embora a versão oficial seja suicídio) na prisão. São conhecidos desde então como os Mártires de Chicago, e a sua memória é mantida viva por todo o movimento de trabalhadores. Esta memória também serve para lembrar que as conquistas trabalhistas que ainda usufruimos agora foram conquistadas por muito derramamento de sangue daquelus que vieram antes de nós.
Apesar da repressão não vamos recuar!
Comunicado sobre a manifestação de 1 de abril
No dia 1 de abril, fomos mais de 30 mil a tomar as ruas em protesto contra o custo de vida e a precariedade habitacional. Ao mesmo tempo que somos marginalizados e excluídos das nossas cidades e obrigados a viver sem autonomia, vemos imobiliárias, supermercados e bancos com lucros recorde. A violência deste contexto, ao contrário do que diz a narrativa dominante, é antiga e já nos marca há várias gerações. Quem acusa os moradores de violência, não acusa a violência dos despejos, não fala dos jovens que não conseguem emancipar-se, dos imigrantes agredidos e mortos, dos hotéis e restaurantes de luxo erguidos onde antes estavam as nossas casas, em nome do lucro e de um Estado cada vez mais próximo do fascismo.